A solidão na multidão.

Não há coisa pior que nos sentirmos sós na nossa vida, sós no nosso mundo, sós com os nossos problemas.

Já passei por isso várias vezes. Claro que se evolui, se cresce, mas também se fica marcado como se fosse um cunho invisível que ali fica, endurecido pelo tempo.

Já passou, parte de mim sabe que nunca mais vai voltar a esse estado e parte de mim tem uma tendência a tremer de medo que isso volte a acontecer.

Porque a nossa mente tem rasteiras, tem esquinas que não sabemos o que está do outro lado e tem socalcos invisíveis que teimamos em tropeçar como as crianças pequenas.

Quem dera que cada pessoa possa ter uma pessoa pelo menos que acalme a sua dor.

Quem dera que cada dor possa ser aliviada com um abraço.

Quem dera que cada abraço sirva de capa protetora, que nos metem em cima e lá possamos recuperar para no dia certo desabrochar.

Quem dera que todos possam desabrochar e viver as coisas da vida como elas merecem ser vividas.

Quem dera que a vida seja VIDA!

E não uma espécie de morte na vida!

A urgência de nos ligarmos ao Natural 

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Dandelion-Nita-Pexels

A urgência de nos ligarmos ao natural.
Ao primário.
Ao instinto.
Ás nossas antepassadas.
Ás bruxas e ás pioneiras.

Esta cena da maternidade num mundo agitado e nervoso de hoje em dia mete-me muitas vezes a pensar.
Então e como era antes?
Como é que criavam as crianças? Elas sobreviviam, é verdade.
Digo, quem realmente se dedicava aos miúdos.
Como é que o faziam quando tinham que fazer as tarefas diárias, as mesmas coisas todos os dias? Como nós.
Onde é que os punham e como os entretinham, estimulavam, brincavam?
Quando nem sequer havia água nas torneiras, nem gaz no fogão! Todas as coisas que nos facilitam a vida hoje em dia e nos fazem ter mais tempo? (Ahahaha… ou nem por isso).

Bom, tenho que ir pesquisar se quero saber exactamente como seria.
Mas de uma coisa tenho a certeza, estas Mães não tinham um trabalho das 8:30 às 17:30 e uma hora de almoço das 12:30 às 13:30!

Não tinham que ir meter os miúdos na escola ( formato caixa ).
E as crianças não estavam presas e organizadas por idades desde quando ainda nem sabiam gatinhar.

 

Quero imaginar que os levavam com elas para os campos, que os deixavam lá, debaixo de olho, mas deixando-os explorar.

Deixavam-os subir às árvores, apanhar bichinhos esgravatando com um pauzito. Arrancariam as cenouras pelas ramagens e comiam-nas mesmo ali lavadas num regato.

Aprendiam a andar sobre todos os tipos de piso e aprendiam a subir nos galhos das árvores mais altas. Exploravam com a curiosidade que lhes é pertinente, e iriam questionando as Mães, sobre para onde iriam aqueles pássaros a voar todos juntos, ou como apareciam as maçãs nas árvores, ou porque eram vermelhas e assim se passaria o tempo.

Sempre ocupado, mas a respeitar o tempo de cada coisa.

O tempo de semear, o tempo de cuidar, o tempo de colher, e assim para tudo.

E cada dia na sua pacatez seria diferente.

E assim cresciam os pequenos, junto das Mães e dos Pais.

Felizes, digo eu.

 

Então pensando bem, devíamos olhar para trás, imaginar como seria e adaptar.

Tentar simplificar um bocado mais.

Ligarmo-nos mais à Natureza, ao Tempo que passa lento, a sair se o Sol nasceu ou a recolher se o Sol se pôs.

Dar ás Crianças o tempo e o espaço que precisam.

Abrandar…

Dar-lhes a sensação que já não temos, em que o tempo não se sente a passar.

Respeitar os ciclos e o seu ritmo e deixá-los explorar.

É urgente tirá-los das imensas caixas que os empacotam.

Das quais nós já cá estamos e que parece que até estamos confortáveis, porque seguir o que já se conhece não dá trabalho.

Até ao dia que questionámos, questionámos porque a caixa começa a ficar apertada para todos os sonhos que temos.