Imaginação, treino e o grande tesouro da vida.

Normalmente ao deitar, depois das rotinas todas, lemos uma história ou outra, mas depois apagamos a luz, senão não dormem.

Como mesmo assim nem sempre adormecem, eu normalmente continuo a contar histórias, mas desta vez inventadas, como o João me pede. A Beatriz por ela, eu contava em loop, os 3 Porquinhos, a Capuchinho e os 7 Cabritinhos e por esta ordem. Já contei tantas vezes que já as sei contar a dormir.

Já faço isto há tanto tempo que acabei por me tornar pró a contar histórias inventadas. Não há modéstia nenhuma, aviso já. Às vezes penso mesmo que devia estar a gravar o que conto, pois valeria a pena um dia escrever um Livro baseado nestas pequenas histórias. Normalmente são sobre animais que eles lá escolhem, mas podem ser de outras coisas, com princípio, meio, fim e enredos bem elaborados.

Agora nas férias conto a dobrar, na hora da sesta e à noite. Então, depois de esgotar os animais e as diversas situações, pensei, porque não contar uma história baseada numa história que eu conheço? Estou de férias, não preciso de me esforçar tanto…

Então e porque estamos “perto” do local onde tudo se passou, lembrei-me do Alquimista do Paulo Coelho e da sua história.

Então em duas partes, nesse dia na sesta e à noite, contei-lhes a história de um rapaz que vivia na Andaluzia e que sonhava em encontrar um tesouro na terra do outro lado daquele mar. Que fez uma viagem de camelo pelo deserto e quando chegou ao fim percebeu que o mais importante não era o destino mas a viagem e que o verdadeiro tesouro não estava nas moedas, nem no ouro mas em casa, de onde ele tinha partido, na família e no Amor.

Fiz esta história render, sendo que a Beatriz das duas vezes adormeceu. Mas o João manteve-se sempre acordado, pois queria chegar ao fim da história para saber qual era o tesouro. Ele, claro achava que o tesouro era uma coisa valiosa, física, assim como associa normalmente as Surpresas a coisas materiais.

Expliquei que nem sempre o tesouro precisa de ter moedas ou ouro, que podem ser coisas que não se veem, mas que são na mesma muito importantes ou mesmo mais. E tentei também com esta história simples, mostrar que o verdadeiro tesouro está em nós, na nossa família e na nossa casa. E que as surpresas são coisas que podem também ser acontecimentos e que não vêm associadas a brinquedos ou coisas materiais.

Acabou por ser uma história que os envolveu e os fez adormecer e que de alguma forma lhes quis incutir, que o tesouro mais importante já encontramos.

A importância de ficar até adormecerem.

Para adormecer os meus filhos, faço um determinado número de coisas que sei que quase sempre resultam.

Eventualmente lá adormecem: seja passado 10 minutos (pouquíssimas vezes) ou 2 horas (exagero).

Uma das coisas que faço e que serve também como técnica para ver se já adormeceram e se me posso escapar, é dar-lhes a mão. Uma a cada um, claro.

Fico ali a fazer festinhas, depois vou abrandando, abrandando cada vez mais, muito levezinho e cada vez mais espaçado e chega uma altura que tento tirar a mão, muito lentamente… Se reagem e a apertam já sei, tenho que esperar que a coisa ainda não pegou. Se não reagem… Vou ainda mais devagarinho, descolando os dedos deles, um a um para que não despertem… E fico ali a contá-los a ver se já estão todos.

E quando chega ao último dedo e a mão finalmente pende sem tensão alguma… Ufa! Estou feliz, consegui!

Agora é só sair dali sem fazer barulho, sem tropeçar em nada, sem pisar um brinquedo daqueles que têm luzes e música e ir até á porta, pé ante pé, com as orelhas afiladas a ver se ainda ouço um:

Mamã?!

Nada, silêncio… Por hoje estou safa!

Quais são as vossas técnicas para perceber que os meninos já dormem?

amaeeminhablog-dar a mão