A solidão na multidão.

Não há coisa pior que nos sentirmos sós na nossa vida, sós no nosso mundo, sós com os nossos problemas.

Já passei por isso várias vezes. Claro que se evolui, se cresce, mas também se fica marcado como se fosse um cunho invisível que ali fica, endurecido pelo tempo.

Já passou, parte de mim sabe que nunca mais vai voltar a esse estado e parte de mim tem uma tendência a tremer de medo que isso volte a acontecer.

Porque a nossa mente tem rasteiras, tem esquinas que não sabemos o que está do outro lado e tem socalcos invisíveis que teimamos em tropeçar como as crianças pequenas.

Quem dera que cada pessoa possa ter uma pessoa pelo menos que acalme a sua dor.

Quem dera que cada dor possa ser aliviada com um abraço.

Quem dera que cada abraço sirva de capa protetora, que nos metem em cima e lá possamos recuperar para no dia certo desabrochar.

Quem dera que todos possam desabrochar e viver as coisas da vida como elas merecem ser vividas.

Quem dera que a vida seja VIDA!

E não uma espécie de morte na vida!

Quem foram as primeiras pessoas a saberem da gravidez?

Ora aqui está um assunto que diverge muito.

Há pessoas que não têm problema nenhum em contar mal descobrem a noticia e mais umas quantas pessoas que guardam a notícia até mais tarde, normalmente contorcendo-se sempre para que ninguém descubra, porque nestas coisas queremos ser nós a contar esta notícia tão maravilhosa.

Claro que se passamos pelo processo de andar a controlar e a fazer testes de gravidez, logo na segunda semana já é possível ver a tão desejada risquinha mesmo que muito, muito ténue e a segunda pessoa a saber além de nós, é o pai da criança, pois claro. E a partir daí, a seguir à notícia ser confirmado na ecografia na consulta com o médico obstetra, mais ninguém fica a saber pelo menos até as 12 semanas, principalmente se formos do tipo de esperar até as coisas estarem realmente seguras (que nunca estão mas pelo menos há mais probabilidades).

Aqui foi assim!

Então se não contamos aos nossos Pais, nem amigos, nem colegas de trabalho, andamos ali a remoer todos os dias, não é?

  1. primeiro para que ninguém descubra nem faça questões sobre porque que só tomamos um café, porque que nos afastamos de ambientes de fumo como se estivesse lá satanás, e porque que vamos tantas vezes à casa de banho.
  2. E depois a remoer porque queremos tanto contar a novidade, queremos tanto partilhar tudo o que sentimos e todas as expectativas e ansiedades.

Mas há outro sítio onde somos obrigadas a contar. (Lembrem-me lá de mais.)

Acho que a seguir ao Pai, às meninas de um fórum do qual eu fazia parte onde na altura ninguém se conhecia, e ao Obstetra, a quem eu tive mesmo que contar foi ao Médico Dentista. E das duas gravidezes!

Com receio da anestesia e também porque tive que fazer um raio-x ao qual tive que proteger a barriga com um avental de chumbo bastante pesado, tive mesmo que dizer que estava grávida. Confesso que foi estranho. Dizê-lo, na altura era bem mais difícil do que pensava.

Mas também confesso que me deu algum gozo poder falar tão abertamente deste assunto tão preferido no momento.

Bom, aqui resolvemos esperar pelas 12 semanas para contar a todos. E depois aí, sim foi um alívio.

Agora quero saber por aí o que optaram por fazer. Contar logo ou esperar?

E depois, quem foram as primeiras pessoas a saberem do gravidez?