O corre-corre dos tempos de hoje.

Estamos sempre atrasados e nunca temos tempo para nada. Andamos num corre-corre todo o dia.
De manhã acordamos e já estamos atrasados. Dou por mim a dizer todos os dias:

“Vamos lá rápido, já é tarde estamos atrasados!”

As crianças nem percebem bem porquê. Entregamo-los a correr e vamos a voar para os empregos, porque já estamos atrasados. Fazemos tudo a correr porque há sempre imenso que fazer, porque é claro, já estamos atrasados. Já devíamos ter feito isto e aquilo, entregue isto e aqueloutro.

Vamos almoçar rápido porque queremos fazer mais 2/3 coisas naquela 1 hora minúscula. E voltamos a correr!

Ao fim do dia voamos mais uma vez para ir busca-los e mais uma vez (sentimos que) estamos novamente atrasados para os ir buscar. Chegamos a casa e o corre-corre não acaba. Entre fazer jantar, as tarefas e as brincadeiras é “mais uma vida” e de novo a sensação que já devíamos ter feito mais coisas e o jantar vai atrasar.

O jantar prolonga-se mais um pouco, mas chega a uma altura e de novo apressamos a final do jantar porque depois começa a ser tarde.
Hora de ir dormir e de novo o:

“Vá, vamos rápido que já é tarde!”

Infelizmente na nossa cabeça, isto já soa normal. Não paramos para pensar nisto, acho que até já o fazemos sem necessidade e mais por hábito, pela cultura que se criou, pela sociedade que já é assim, sempre com pressa e aflita.

Mas isto na cabeça das crianças, que não têm relógio, que não sabem o que é isto do tempo, nem dos atrasos, sim porque o contrário de atrasado, é adiantado e ninguém fala do adianto. Na cabeça deles a única coisa que ainda conseguem fazer alguma relação temporal é com: Está dia, está noite, ainda está sol ou o sol já foi embora. E como isso até vai variando ao longo do ano, ainda é mais confuso.

E a ideia, incompreensível para eles, que lhes passamos é a de que estamos atrasados.
Estamos sempre atrasados.

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Photo by Andy Beales on Unsplash
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